Pastinaca
- Nana

- 22 de out. de 2025
- 2 min de leitura

Ah, a pastinaca. Curioso que todas às vezes em que comecei a escrever esse texto o corretor insistia em corrigir a letra pê do nome da raiz de minúscula para maiúscula, ela, desconhecida por muitos talvez mereça mesmo ser chamada como nome próprio e não como substantivo comum. Raiz curiosa, nativa do continente europeu, com carinha de cenoura, mas com um charme todo dela.

Quando trabalhava no Maní provei uma das sobremesas que fizeram com que eu me apaixonasse pelo trabalho da Brenda Freitas... Era uma base de pain d'épice (bolinho francês de especiarias), uma emulsão de laranja e as lasquinhas de pastinaca por cima. Gostei tanto – e falei tanto dela – que no meu aniversário daquele ano ganhei de presente a sobremesa.
Anos depois, encontrei novamente as raízes compridas, esbranquiçadas, com aroma fresco e adocicado no meio da feira no Instituto Chão. Resolvi levá-las para casa pela nostalgia – curioso como certos sabores ficam com a gente.
Passada a emoção e o empolgamento engatilhados pelo encontro com as raízes, lá ficaram elas, esquecidas na gaveta da minha geladeira, misturadas às muitas cenouras que normalmente frequentam o mesmo espaço, esperando uma inspiração para alguma receita que chegasse à altura do seu charme.

Quando já tinha me dado por vencida, ou seja, virariam sopa, fui buscar inspiração no livro ‘A fabulosa história dos legumes’ onde a autora exalta os muitos preparos e usos curiosos dela. De pequenos lampiões nas festas do Dia dos Mortos, citações de Samuel Beckett, passando por cozidos típicos até mesmo sobremesas irlandesas onde as raízes eram cozidas no mel.
Ela que é fibrosa demais para comer crua, normalmente é servida cozida, assada ou frita. Hum, mel, sobremesa da Brenda, ter visto elas do lado das cenouras, batata!, ou melhor, pastinaca, elas virariam bolo!
Fui procurar como fazer, normalmente entram raladas – um trabalhão, resolvi bater elas direto no liquidificador, à lá bolo de cenoura mesmo, o que deixou a textura fofinha e o método de preparo bem mais fácil. Ah, e acabei fazendo uma cobertura iogurte com tomilho e mel para trazer um charme altura da nossa amiga, Pastinaca.




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